domingo, 28 de março de 2010

Sunday Morning


"That may be all I need
In darkness she is all I see
Come and rest your bones with me
Driving slow on Sunday morning
And I never want to leave"

Maroon 5

sábado, 27 de março de 2010

A minha Pasárgada


Livremente fui

"Irei embora e
Não conto para
Onde vou.
Guardo esse segredo
Comigo.
Digo apenas que é
Um sonho bom.
Lá posso voar
Feito uma borboleta
No meio das flores.
Sou uma feiticeira
Shhhh!
Não sei o que
a gravidade é.
Irás achar estranho,
Pois diferente sou.
Mas estranho é
Diferente,
E diferente é
Estranho.
Então ouças bem
E ouvirás
A minha felicidade
Sussurrando em teu ouvido
E te desconcentrando de teus deveres
Atraindo te por tão deliciosa que é.
Ai, que bom!
Voei, voei, voei...
Fui me embora.
Aviso logo,
Fui dançar,
Não sei se volto
Pra ti.
Dançar, correr, sorrir...
Voar, viver, dormir...
O meu mundo é aqui!
Dançar, correr, sorrir...
Voar, viver, dormir...
Não me prendas mais aí!"

Bruna Kopke

quarta-feira, 24 de março de 2010

Corcovado


"Num cantinho um violão
Este amor, uma canção
Prá fazer feliz a quem se ama
Muita calma pra pensar
E ter tempo pra sonhar
Da janela vê-se o Corcovado
O Redentor, que lindo!

Quero a vida sempre assim
Com você perto de mim
Até o apagar da velha chama
E eu que era triste
Descrente deste mundo
Ao encontrar você eu conheci
O que é felicidade
Meu amor"

Tom Jobim

Pensamentos...


"Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!"

Fernando Pessoa

domingo, 21 de março de 2010

O céu pegando fogo...


e uma 'música' do Cordel do Fogo Encantado...

Ai Se Sêsse

"O poeta Zé da Luz no ínicio do século escreveu uma poesia porque disseram para ele que para falar de Amor era necessário um português correto e tal, aí Zé da Luz escreveu uma poesia chamada "Ai se Sesse" que diz assim:"

Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse

(Composição: Zé da Luz)

sábado, 20 de março de 2010

OBSESSÃO DO MAR OCEANO


Vou andando feliz pelas ruas sem nome...
Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano...
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas... e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral...
Búzios calçando portas... caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos...
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su'alma perdida e vaga na neblina...
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos...
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas...
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.

Mario Quintana - O Aprendiz de Feiticeiro

sexta-feira, 19 de março de 2010

Entre o ser e as coisas.


"Onda e amor, onde amor, ando indagando
ao largo vento e à rocha imperativa,
e a tudo me arremesso, nesse quando
amanhece frescor de coisa viva.

Às almas, não, as almas vão pairando,
e, esquecendo a lição que já se esquiva,
tornam amor humor, e vago e brando
o que é de natureza corrosiva.

N´água e na pedra amor deixa gravados
seus hieróglifos e mensagens, suas
verdades mais secretas e mais nuas.

E nem os elementos encantados
sabem do amor que os punge e que é, pungindo,
uma fogueira a arder no dia findo."

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 15 de março de 2010

Eine hübsche Frau


"Wenn du zum Beispiel um vier Uhr nachmittags kommst, kann ich um drei Uhr anfangen, glücklich zu sein"

(Der Kleine Prinz)

"Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz."

(O Pequeno Príncipe)

Curvo-me diante de tua magnitude.


*Ao mesmo tempo sombrio e bonito*

"Quão maravilhosos são os altos céus..
Onde tudo brilha tudo reluz...
Até os relâmpagos festejam sua beleza...
E as estrelas no céu cintilam...
Enquanto a lua ilumina o escuro da noite."

(Anônimo)

sábado, 13 de março de 2010

Ah se os cachorros soubessem falar...


*Luke*

E agora, José?


José
1960 - ANTOLOGIA POÉTICA

"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...

Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 11 de março de 2010

A misteriosa lua de quatro fases...


...e o Poema De Sete Faces
(1960 - ANTOLOGIA POÉTICA)

"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
Pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos não perguntam nada.

O Homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 10 de março de 2010

"Oh Chuva"


"Você que tem medo de chuva
Você não é nem de papel
Muito menos feito de açúcar
Ou algo parecido com mel

Experimente tomar banho de chuva
E conhecer a energia do céu
A energia dessa água sagrada
Que nos abençoa da cabeça aos pés

Oh! chuva
Eu peço que caia devagar
Só molhe esse povo de alegria
Para nunca mais chorar.

Tem dias que a gente acorda com medo do escuro
Tem dias que a gente dorme sente-se inseguro
Então quando a gente acorda e acende a luz pra ver
Percebo que já tenho tudo e falta você

A cor do mar
O céu azul o vento lá sopra pro sul
E a cor da areia se confunde
Com seu corpo nu (2x)

Oh! chuva
Eu peço que caia devagar
Só molhe esse povo de alegria
Para nunca mais chorar."

Falamansa

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homenagem ao Dia Internacional da Mulher


"Receita de mulher"

"Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação imunerável."

Vinícius de Moraes

terça-feira, 2 de março de 2010

"Valsa de uma cidade"



"Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar
Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar
Rio de Janeiro, gosto de você
Gosto de quem gosta
Deste céu, deste mar, desta gente feliz

Bem que eu quis escrever um poema de amor
E o amor estava em tudo o que vi
Em tudo quanto eu amei
E no poema que eu fiz
Tinha alguém mais feliz que eu
O meu amor
Que não me quis"

(Ismael Netto e Antônio Maria)